Violência doméstica, uma triste realidade
Published by Tânia Almeida under on 11:53 p.m.
Sábado à noite, os moradores de um prédio são apanhados de surpresa com gritos de desespero de uma adolescente que pede por socorro. O pai está trancado no quarto a espancar a mãe. Os vizinhos chamam a polícia e o serviço de atendimento de emergência. Quando os polícias chegam ao local deparam-se com um cenário de terror. Objectos quebrados, o piso e as paredes do apartamento com sangue. Do lado de fora, curiosos aglomeram-se à porta de entrada, enquanto carros de polícia e ambulâncias ocupam a rua. Após as tentativas de diálogo e negociação com o agressor, a polícia arromba a porta do quarto e encontra uma mulher desfigurada e com problemas em respirar. Junto ao agressor está outro filho, um menino de três anos. O agressor ainda oferece resistência à autoridade. A filha contara ao vizinho que os pais estão separados e o motivo da separação foi justamente a violência do pai.
Esta história não é nenhum enredo de filme sobre violência familiar. O facto ocorreu num condomínio de classe média em Belém. Casos como este dificilmente levam o agressor à prisão pois "As classes média e alta não costumam denunciar a violência doméstica, o assunto fica em família.”, afirma a Professora Milene Veloso, do Departamento de Psicologia Social e Escolar.
Para Milene, a violência doméstica é causada em 90% dos casos por pessoas próximas à vítima. "Por isso, o mais difícil às vezes não é fazer a denúncia, mas mantê-la, porque na maioria dos casos, a pessoa agredida volta a morar debaixo do mesmo tecto que o agressor".
Podemos assim concluir que o medo é um dos grandes problemas das vítimas e isso ocorre porque a justiça é lenta e as audiências intervaladas o que leva as pessoas a recear por uma nova tentativa de violência pela parte do agressor. Ninguém garante. Muitas vezes, a mulher vítima da violência consegue separar-se, mas o ex-marido fica por ali, rodando, por perto, sempre ameaçando. A obsessão não morre, acreditem. E acreditem também que existe um vazio nas políticas públicas voltadas para o agressor.
Afirmar que a violência doméstica é um problema de saúde pública, é verdade! As vítimas de violência, em geral, convivem com o isolamento social e o silêncio; as mulheres isolam-se e calam-se! E, muitas vezes, levam anos para procurar ajuda. E embora o comportamento das mulheres tenha mudado e hoje já seja mais fácil e/ou menos vergonhosa para a vítima pedir ajuda ao poder público e às entidades de combate à violência doméstica, essa problemática ainda está longe de ser superada.
Um abraço,
Tânia Almeida


2 comentários:
É verdade sim.
É uma triste realidade que tanto acontece com elas como com eles, actualmente.
As pessoas tornam-se possessivas e obsessivas com muita facilidade.
Muitas vezes quem sai mais prejudicado são os filhos cujo futuro acaba por ficar muito comprometido.
De uma forma ou de outra, é tudo um ciclo. E se não há quem o quebre, haverá sempre uma continuidade.
Olá!De facto é um grande problema... Mas, e o agressor? Nunca ninguém fala dele como vitima de doença. Normalmente pessoas que têm este tipo de atitudes, são pessoas com transtornos obsessivos complusivos. Estas mesmas pessoas devem receber tratamento para se tentar resolver a situação!
Abraço.
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